segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sobre o perdão

Eu sempre pensei que eu soubesse perdoar e pedir perdão. Na verdade, na minha infinita humildade eu sempre pensei que eu conseguia perdoar e pedir perdão com uma facilidade sobrenatural, um dom de poucos...sabe como é, né?
Mas aí, de repente, eu percebo que isso tudo é uma fachada pra esconder meu orgulho e ansiedade, que me impedem de reconhecer que eu errei, que eu realmente machuquei alguém, que eu pisei muito feio na bola e que não há outra alternativa se não a de colocar o rabinho entre as pernas, reconhecer isso tudo e dizer as palavras mais simples, mas que eu descobri que são também umas das mais poderosas.
É fácil entender: Deus, um ser perfeito, nos ama e perdoa dia após dia...não é bem lógico que nós, que somos seus filhos, que nos dizemos seguidores de Jesus, façamos o mesmo? Se Ele, que não tem um erro sequer, nos vê errar e depois correr de volta pedindo perdão por uma coisa que até nós mesmos já estamos cansados de repetir, não é lógico que nós devemos perdoar e pedir perdão, exatamente como Jesus nos ensinou? (MT 18:21-35). Ou, por acaso, o seu erro é menos errado que o do outro? O seu erro não machuca tanto quanto o erro do outro?
Eu, com qualquer mortal NORMAL, queria que tudo fosse mais simples. Eu queria não ter que experimentar meu coração chegar à boca, meu rosto queimar e minha voz tremer. Eu queria que fosse necessário que eu pedisse perdão só a Deus, sem que eu precisasse procurar as pessoas que eu já machuquei. Mas aí eu entendi. Depois de implorar por coragem e conseguir fazer o que eu precisava, eu entendi.
Entendi que talvez a pessoa nem se lembre, mas vai ficar feliz em saber que você se lembrou e se preocupou em pedir perdão. Ou o mais provável: ela se lembra de cada detalhe. E nesse caso pode até ser que no momento, não; mas acredito que depois ela vai ficar feliz em saber que finalmente, depois de tanto tempo, depois de tanta coisa, você finalmente entendeu que errou. E entendeu que precisava pedir perdão.
Eu tenho pedido pra Deus me moldar. Meu caráter, minhas prioridades, meus defeitos e manias. E tem doído tanto. E eu fico pensando: imagina se Deus fizesse um intensivão. Quisesse transformar tudo rapidinho. Sinceramente, eu não acredito que suportaria. Porque Ele vai mexendo nas feridas mais antigas, naquelas que pareciam ter cicatrizado, mas que por dentro estavam ali, bem vivas. E nem tem anestesia, hein? E isso me lembra de como eu realmente estou e quem eu realmente sou.
Porque Ele começa a trabalhar e eu tenho vontade de desistir de tudo, pegar um atalho e, de novo, fazer de conta que as coisas já estão resolvidas. Mas se fosse assim, hoje, eu não sentiria isso. Hoje eu não reconheceria a importância do pedido de perdão, e do arrependimento verdadeiro. E, embora a lista ainda seja muito longa e eu tenha certeza que não vai ser nada fácil resolver tudo, agora eu sei que eu não trocaria a certeza de ter sido perdoada, a alegria de saber que não estou mais presa a isso, por um atalho e uma ilusão de que não devo mais nada.
“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas”. MT 6:14-15